É claro que todo mundo conhece Imagine, uma das músicas mais famosas do já-absurdamente-famoso-por-si-só-mesmo-que-essa-música-jamais-tivesse-sido-escrita, por ter feito parte dos Beatles (sim, eu resolvi ficar culta musicalmente falando, mas isso é assunto pra outro post, tá?), Sr. John Lennon.
Pra quem não lembra, é aquela que fala sobre como seria viver num mundo sem religiões (entre outras coisas), onde todos fossem iguais, e o mundo pudesse viver numa sociedade utópica. Dizem que é linda e tudo o mais, mas eu nunca vi muita graça nela – é, eu quase nunca vejo graça no que os outros vejam; devo ter uns olhos meio defeituosos… ou muito excêntricos! Mas voltando à música e deixando minhas órbitas oculares de lado, lembro que a primeira vez que escutei essa música e me dei conta da magnitude dela, pelo menos no que diz respeito a ter sido escrita pelo John Lennon e ser praticamente um hino universal, foi no meu primeiro e único recital de piano. Algum dos outros alunos que se apresentaram tocou Imagine, eu perguntei pra minha mãe que música mesmo que era aquela (porque a melodia era familiar, é claro) e ela me respondeu.
Com o passar da vida, tive que traduzir essa música em aulas de Inglês, ouvir tocar em tudo quanto é lugar (obviamente)… Enfim, mas foi agora, nesse instante, ou pelo menos no instante anterior do milésimo de segundo em que comecei a escrever esse post, quando estava ouvindo as músicas dos Beatles, que Imagine tocou, e uma única frase (que eu nunca tinha nem percebido nessa letra) me chamou a atenção:
“Imagine (…) nothing to die or kill for.”
“Imagine (…) nada pelo qual matar ou morrer.”
E embora John Lennon tenha sido um dos maiores gênios da humanidade (ignorem as drogas, a célebre frase “nem Jesus é tão famoso quanto os Beatles”, todas as outras coisas ruins, e só considerem as músicas do cara, por favor), eu peço licença pra discordar. No quesito “sociedade perfeita”, o senhor pode ter acertado bastante, mas tenho que dizer: que raio de utopia é essa em que as pessoas não têm paixões? A única coisa que nos inspira a viver, morrer ou matar por ela, são as nossas paixões. E sim, muitas delas levam à guerras e conflitos desnecessários, mas o que seria de nós sem os sonhos e obsessões ambições? São graças à eles, graças às nossas paixões e a força que elas nos dão que a humanidade alcançou seus maiores sucessos. Sem paixão, o verbo “viver” se torna “sobreviver”. Sem algo pelo qual morrer, qual é o sentido de existir? E se não fosse por sua própria paixão, senhor, os Beatles não teriam existido!
Ah, eu quero sim que o mundo se torne um devido aos sonhadores… mas não sem “nada pelo qual matar ou morrer”, sinto muito. A ausência disso já implica, por si só, na ausência dos sonhadores e, dessa maneira, na impossibilidade da concretização da utopia.
Aposto que John Lennon estaria se revirando no túmulo se lesse isso. Uhm, talvez ele devesse mesmo.
Brenda Nepomuceno