Aviso: O post ficou grande porque havia muita informação a incluir, já que várias pessoas me perguntam como funciona a escola por aqui. Além disso, desde que mudei de layout tudo o que escrevo parece ficar imenso – mas a culpa é do tamanho da fonte, não minha! ;)
É um alívio poder estar sentada na frente do computador, só lendo todos os meus blogs preferidos, sem pensar na estrutura do cérebro, percepção visual ou estados da consciência. Sim, todas as minhas provas do final do bimestre finalmente acabaram - bem como o meu exame (vestibular) e o ENEM. Foram duas semanas de tensão, de muitos surtos psicóticos, ausência no mundo virtual e muito stress. Mas valeram a pena. Passei o domingo passado revisando por mais de oito horas e só fiz a mesma coisa nos dois dias seguintes. Quarta-feira veio e com ela meu temido exame de Psicologia. É, Psicologia. Calma, eu me explico.
O Ensino Médio aqui na Austrália, VCE, é mais parecido com o esquema dos Estados Unidos do que com o do Brasil (e não só no uniforme lindo!), então, pra começo de conversa, somos nós que escolhemos nossas matérias. A única obrigatória é Inglês, fato que dispensa explicações. No terceiro ano podemos escolher outras quatro matérias, de acordo com as que a sua escola oferece. Como mudei pra outro colégio esse ano (sim, de novo - já é a minha terceira escola em três anos de colegial!), acabei tendo que mudar algumas matérias que fazia ano passado: larguei Design de Roupas, por ter entendido que a minha vocação é escrita, na verdade, e que moda é só um hobby; e Italiano, já que a minha escola não me dava essa opção. Acabei ficando com Inglês Como Segunda Língua, Literatura, Psicologia, Matemática Avançada (que, ironicamente, é a mais básica das quatro que podemos escolher), Saúde e Português, que faço em outra escola, aos sábados, mas que conta como uma sexta matéria mesmo assim*.
Outro aspecto em que a Austrália difere e muito do Brasil é o tal do vestibular. Tecnicamente, ele não existe aqui. E apesar do que muitos pensam, também não é como os SATs dos Estados Unidos. Eu diria, na verdade, que a Austrália é um meio-termo entre os dois, embora mil vezes mais complicado (de explicar, não de fazer, ha ha ha). Ao invés de prestarmos vestibular ou ENEM pra ter uma nota pra entrar num curso de uma universidade específica, fazemos provas na nossa própria escola. São como provas finais, no término do primeiro e do segundo semestre. Como cada um escolhe suas matérias, só sentamos pros exames das que estudamos naquele ano. Em Junho, entretanto, apenas as ciências têm exames. Como estudo Psicologia, tive que fazer um, mas soube de pessoas que tiveram três ou quatro essa semana. Mais um motivo pra me deixar feliz por não ser uma pessoa científica!
Cada exame (ou dois somados, no caso das matérias que têm um ao final de cada semestre) vale 50% da nossa média no final do ano, que eles chamam de study score. De 0 a 50, conseguimos um pra cada matéria. Os outros 50% são todas as provas (chamadas de SACs), trabalhos e afins que fazemos ao longo do ano. Todos os cinco ou seis study scores são então somados, e de acordo com esse resultado geral, cria-se um ranking de todos os alunos do meu estado, Victoria – do melhor aluno, com 99.9, ao pior. E é a sua posição no ranking que é o número mágico, ATAR, que te garante ou não aceitação ao curso e/ou universidade à qual você aplicou. Na maior parte dos casos, as melhores faculdades só aceitam os melhores alunos, mas depende muito do curso no qual você quer entrar, então não é uma ciência lá muito exata…
Simples, né? :P
Nos próximos meses escreverei mais sobre toda a minha saga vestibulanda Australiana. O caminho ainda é longo por mais cinco meses, até eu entrar na University of Melbourne* e estudar Escrita Criativa, pra virar uma escritora de verdade… Por hora, o que importa é que todo o meu estudo valeu a pena e fui super bem no meu exame de Psicologia (e acho que no ENEM, aqui chamado GAT, também). Agora é aproveitar o feriado prolongado! :)
*Assunto pra um(ns) outro(s) post(s) super-mega detalhado(s). Aliás, estou ensaiando escrevê-lo(s) desde o começo do ano… Que vergonha!
P.S. Ah! E já que estamos falando de escola, será que vocês poderiam ajudar minha amiga no trabalho da faculdade dela? É simples, basta participar dessa comunidade no Orkut. Quanto mais membros, maior a nota! Conto com vocês!
Brenda Nepomuceno