Terça-feira passada foi oficialmente o último dia da minha adolescência, e eu o passei revirando o meu guarda-roupas de cima a baixo. Arrumei tudo, tentei criar uma ordem de cores mais apropriada para classificar meus pertences, desisti da ideia*, voltei à ordem anterior, desbravei peça por peça e descobri que haviam inúmeras delas que eu já não usava há muito tempo. Montei uma pilha pra mandar pro Exército da Salvação e assim deixei o meu quarto arrumadinho – por dentro e por fora – pra entrar bem nos dezoito. Quando mencionei que era meu último dia como adolescente, me mandaram aproveitar ao máximo. De uma forma, foi o que eu fiz. Experimentei metade das minhas roupas, brinquei de criar looks, relembrei as memórias associadas a cada peça e abri mão daquelas que eu havia há anos mas que não faziam mais parte da minha vida nem de quem eu sou hoje. Metaforicamente falando, eu passei meu dia escolhendo o que quero guardar comigo desses “anos incríveis”, e jogando fora tudo o que não me acrescentaria nada de bom. Assim, fiquei limpa e organizada pra começar essa nova fase da minha vida.

O lado bom de morar do outro lado do mundo, com uma diferença de treze horas no fuso-horário, é que meu aniversário começa antes e termina depois. Como, vocês me perguntam? Às 00:01h aqui, uma amiga da escola já me mandou uma mensagem pra dar parabéns, seguida de uma ligação do meu namorado alguns minutos depois. (Minha avó materna costumava me ligar à meianoite* todo aniversário, e aí meu namorado gostou da ideia* de perpetuar a tradição!) Isso tudo e aí no Brasil ainda era apenas a manhã do dia seis. Ao terminar por aqui, o meu aniversário ainda estava acontecendo lá na minha terra, não passando da manhã do dia sete. Ou seja: só fui parar de receber recados de parabéns às 13:00h do dia oito na Austrália! ;)
No dia sete, logo cedinho, minha mãe me acordou com o café da manhã na cama, que já é tradição de família. Nos arrumamos e fomos às compras, já que o meu armário tinha ficado com espaço de sobra para novas aquisições. Andamos por umas cinco horas, carregando sacolas até a exaustão. Comprei várias peças, pela primeira vez, na loja da minha vida, a Forever New. (É absurdo como eu usaria 99% de tudo que a marca lança – eles sempre combinam os meus elementos preferidos, como cores neutras, brilhos e muita renda, em seus designs.) Fiz vários outros “achados”, como um scarpin preto de $5,00 (sim, cinco dólares!!!) e consegui comprar algumas coisas nas quais eu já estava de olho há tempos. Uma delícia! E o melhor de tudo é que fizemos as compras lá no Centro de Melbourne – que é uma das maiores paixões da minha vida.

Voltei então pra casa pra me preparar pro jantar seguido de cinema, a programação da noite. Obviamente, tentei usar o máximo de coisas novas o possível, pra ficar bem arrumadinha. Acabei usando o vestido que eu tinha comprado especialmente pra ocasião: rosa bem clarinho, quase bege, com corpete estruturado e saia de tule, parecendo roupa de bailarina. Fiquei me sentindo uma princesa com aquela saia rodada! Fomos a um restaurante Italiano que fica na beira do Rio Yarra, que corta o centro de Melbourne. Era uma noite lindamente fria e sentamos na sacada, de onde dava pra ver uma boa parte da cidade. A comida estava ótima e poder estar com a minha família (tanto a original quanto a agregada) tornou tudo ainda mais especial.



De lá, eu e meu namorado fomos assistir “Eclipse” no cinema do Cassino, ali pertinho. Andamos um pouco (e meu sapato novo arruinou meu pé, que é super problemático), a tempo de ver os fogos que são ligados a cada hora cheia ali naquela parte do rio e ainda conseguimos chegar com dez minutos de antecedência pra pegar a sessão que queríamos. O dia todo tudo deu certo! Deus me mima – mas isso não é nenhuma novidade… Isso porque eu nem mereço!
A única coisa que não deu tão certo (fora as bolhas do pé, é claro) foi a atuação na terceira parte da Saga Crepúsculo. Eu estava com as maiores expectativas, especialmente depois de “Lua Nova” ter sido tão surpreendentemente bom… mas não. “Eclipse” é trágico, pra dizer o mínimo. Os efeitos especiais são terríveis, a história foi contada super rápida, Robsten ainda não sabe atuar, colocar uma nova Victoria tirou a graça do filme (nada contra a Bryce Dallas Howard), o anel da Bella é sem graça… Eu poderia escrever uma lista extensa de críticas. Mas pelo menos deu pra dar risada depois, ao conversar sobre como eles mutilaram o livro!
E aí na manhã do dia oito consegui ler todos os scraps e e-mails e recados no Facebook e no Twitter e postagem no blog que me mandaram, desejando felicidades. Adorei tudo! Mas devo ressaltar que vejo esse como mais um aniversário qualquer – não vejo como as coisas vão mudar de um dia pro outro, só por agora eu ter dezoito. Sim, com o tempo elas mudarão – afinal de contas, agora a vida adulta começa! -, mas por hora o que me basta de mudanças é finalmente não precisar mais mentir a minha idade no Orkut! Ha ha ha.
Desculpem pelo post-diário, mas eu queria compartilhar com vocês. Acima de tudo, porém, eu queria agradecer a todos que fizeram deste um aniversário inesquecível – quer estando perto ou longe. Obrigada pelo carinho! Eu amo vocês!
Brenda Nepomuceno
*De acordo com o novo Acordo Ortográfico, “idéia” não tem mais acento e “meia-noite” agora se escreve tudo junto! :S
