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“A questão clichê que eu estava destinada a perguntar durante essa série de posts. As pessoas geralmente usam essa pergunta para contestar a idéia de um Deus amoroso. Como um Deus que nos ama poderia permitir que coisas tão horríveis aconteçam com pessoas tão boas? É uma questão difícil. Pessoas boas não merecem perder um filho ou ter câncer ou ter sua identidade roubada ou serem estupradas. E pessoas más – aquelas que  você sabe que só se preocupam com si mesmas, que são egoístas ou mal-educadas com você, que nunca fazem o que dizem que vão fazer ou que causam genocídio – não merecem ter todo o dinheiro que têm ou terem filhos perfeitos ou conseguirem a última coca diet da máquina.

Então por que coisas ruins acontecem com pessoas boas e boas com pessoas ruins? A reposta que eu achava o bastante era: é parte do plano de Deus e algo bom vai sair disso de alguma forma. Ela foi o bastante por cerca de um segundo, até eu não ver algo bom surgir de alguma coisa trágica que aconteceu com alguém. Em vez disso, a coisa ruim que aconteceu com a pessoa boa arruinou a família ou destruiu os negócios ou causou um efeito dominó de outras coisas terríveis. Enquanto isso, as pessoas más continuaram a prosperar e tirar notas boas e comprar carros chiques sem serem despedaçadas como as pessoas boas.

Já que essa resposta não era mais o bastante, eu decidi: nós não fazemos a menor idéia do que são as definições de “bom” e “mau”. Portanto, não temos nenhum direito de soltar essas palavras por aí como se as dominássemos ou ao menos as entendêssemos. Quando Deus criou a Terra, Ele declarou metodicamente as criações individuais como boas. E aqui estamos nós, andando por aquela terra declarando as nossas próprias coisas e ocorrências como boas ou más. Nós tomamos a palavra de Deus e a distorcemos para adequá-la aos nossos pontos de vista, que são tão incrivelmente limitados que nós não poderíamos, mesmo que dedicássemos nossas vidas a isso, começar a expandí-los à largura necessária para saber o que realmente se passa por aqui.

Então a pergunta chega a um impasse. E as palavras usadas na questão são sem significado. Nós criamos essa pergunta tentando convencer a nós mesmos de que somos capazes de determinar nossas vidas e o sentido delas. Nós a criamos numa tentativa de sermos os nossos próprios deuses, e eu acho que é hora de parar de indagá-la.”

ANDREA LUCADO
(no seu post “Why Do Bad Things Happen To
Good People? And Vice Versa”
, traduzido por mim.)

No meio cristão, é difícil encontrar alguém que nunca tenha ouvido falar de Max Lucado, um dos maiores escritores do gênero na atualidade. Especialmente no Brasil, já que ele passou um período como missionário no país, e portanto tem um carinho especial pela nossa terra, lançando tudo por lá também. E embora seus livros sejam extremamente excelentes, o que a maior parte das pessoas não sabem é que a literatura está no sangue, e que ele passou a habilidade com as palavras à filha do meio, Andrea. Ela trabalha como escritora freelance nas horas vagas e em publicidade durante o dia. Há tempos sigo o seu blog, English Lessons, que é um dos meus preferidos. Ela tem uma capacidade fantástica de falar sobre assuntos tabu com a maior naturalidade e simplicidade, e isso é muito encantador (além de inspirador, do ponto de vista de uma escritora). Sempre me identifico muito com seus posts, especialmente os das “perguntas difíceis“. Ela  foi muito corajosa e se propôs, desde o começo do ano, a explorar semanalmente as questões da vida que são complicadas de responder. (Inclusive, uma vez deixei um comentário num texto sobre “contentamento” que ela não apenas respondeu, mas no qual ela baseou seu post seguinte também. Fiquei me sentindo o máximo!)

Esse texto foi um dos que eu mais amei recentemente, e decidi compartilhar aqui também, ainda mais porque sei que muita gente não teria acesso a ele em inglês. Quem entende deveria sair do meu e ir correndo pro blog dela pra passar algumas horinhas (e ficar cheio de nós na cabeça também).

Ah, e muito obrigada por mais um marco completado na história do AD&BG: cento e noventa mil visitas! Uau! Eu nunca me canso de ficar boquiaberta com esses números e a certeza de que o que eu falo não caí no abismo solitário das cyber moscas!

- Brenda Nepomuceno