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“Escritora que sou, sempre quis uma história de amor dessas que inspiram livros. São sempre épicas, de uma paixão avassaladora, obstáculos imensuráveis, elementos encantadores ao longo do caminho… E no final, os dois vivem ‘felizes para sempre’. Este era o meu sonho de menina – viver uma clássica história de amor.

Há algumas noites, entretanto, estávamos ao telefone. Era uma das nossas ligações rotineiras antes de dormir, daquelas de mais de uma hora de duração, e ríamos aquela risada boa um pouco mais do que de costume. Fôra apenas mais um dia além do normal sem nos vermos, e era aquela conversa confortável entre melhores amigos, regada por meio milhão de ‘eu te amo’s. O de sempre. Foi quando a memória do meu sonho antigo veio à tona, trazendo consigo uma conclusão um tanto quanto triste:

- A nossa história de amor nunca daria um livro, não é mesmo?

- Por ela ser perfeita demais?

Também como de costume, você soube exatamente o que eu estava querendo dizer. Quem é que acharia graça num amor tão confortável e natural quanto aquele meu vestido velho de algodão, que uso para ficar em casa (e mesmo assim você diz que eu fico linda)? O ‘como tudo começou’ é, talvez, a única parte que poderia ser inserida no roteiro de um filme romântico: tendo morado a vida toda a apenas oito horas de distância um do outro, se conhecem e se apaixonam do outro lado  do mundo. Mas a menos que essa fosse a conclusão da história, depois de ter desenvolvido a vida dos protagonistas longe um do outro, ninguém assistiria…

E para que pintar o nosso início como o ápice do nosso romance? Embora o mundo não se interesse, nós dois percebemos todos os dias – a cada toque, a cada olhar, a cada risada em uníssono – que o nosso ‘agora’ é que é o nosso auge.”

Brenda Nepomuceno
(em 13.01.11)

Parabéns por ser a razão pela qual os últimos dezenove meses foram os melhores de toda a minha vida, amor! ♥