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Embora nunca tenha acontecido antes (com esse blog, pelo menos), detesto o fato de que passei mais de um mês sem dar as caras por aqui. Quer dizer, essa é a minha página inicial toda vez que abro o Safari, mas vocês entenderam: nenhum post em mais de trinta dias… nem mesmo aqueles de música, que muitas vezes são o cúmulo do não-tenho-nada-para-falar-mas-quero-blogar-mesmo-assim. E confesso: pura falta de tempo mesmo.

Tudo começou em Julho, quando eu decidi que não queria voltar para o meu curso da faculdade em tempo integral. O que acontece aqui é que, diferente do Brasil, não fazemos apenas um período do dia, com as matérias pré-determinadas. No primeiro semestre eu ia para a universidade de segunda a quinta, cada dia com horários diferentes (porque cada um escolhe as matérias que vai estudar), mas geralmente das nove às três. Obviamente, essa “liberdade” toda faz com que estudantes aqui só consigam empregos casuais. Quando o meu primeiro semestre acabou, eu estava tão cansada de escrever e estudar que resolvi estudar só “meio período” e trabalhar bastante para ganhar um pouquinho mais de experiência. Na prática, isso significa fazer metade (ou menos) das matérias de uma carga normal. No meu caso, escolhi só uma. E era Coral. Ou seja: só precisava estar no campus para um ensaio de duas horas, todas as terças. O resto dos dias, estou trabalhando em duas lojas – uma boutique e na Melissa – e dando aula particular de Português para cerca de três alunos. Nem precisa dizer, mal sobra tempo para assistir TV depois de trabalhar, comer, dormir e estar com o meu namorado.

Agora que o semestre já acabou para mim (e sim, as aulas só voltam em março, praticamente), tenho livre apenas as tais terças. O resto é só trabalho. E eu acabei ocupando a maior parte do meu pouco tempo livre com alguma série de TV ou um livro. Esse é um dos poucos lados bons – tenho lido mais do que no começo do ano. À essa altura, a minha vida pessoal é tão inexistente que já estou morrendo de saudade de ter que estudar bastante… mesmo estando adorando a minha experiência de trabalho. No momento, além do cansaço, o meu maior problema é que ando irritada por ter que lidar com pessoas o tempo todo. Varia – a cada semana eu amo ou odeio trabalhar tanto assim. Depende.

E por mais que a minha desculpa oficial para ter fugido daqui por tanto tempo seja a minha quantidade de compromissos, se eu quiser ser honesta comigo mesma, a verdade é que até quando eu penso “hoje é um bom dia para dar um sinal de vida lá no blog”, não consigo escrever nada. Cheguei a um ponto em que eu acho que já falei tudo o que tinha para falar; que já filosofei tudo o que tinha para filosofar. Claro, deve ser mais um engano meu. Sobre tudo eu tenho uma opinião, e na maioria das vezes faço questão de que elas sejam lidas. É só que com o pouco tempo que eu tenho de folga, estou tentando não ficar analisando a vida, nem nada nela. Não sei por quê. Se é só cansaço, apreensão ou se eu estou recusando a realidade mesmo. Sei que estou bem fechada, e não sei se realmente gosto disso. Gosto de me esconder por trás de todas essas responsabilidades, mas sempre sinto falta de escrever e ser lida. Honestamente, é porque não sei se é melhor insistir em vir aqui quando acho que não tenho nada relevante em mente no momento de postar.

(E parece que tudo o que escrevi até agora está soando deprimente, ou ao menos deprimido. Não era para traduzir assim.)

De qualquer forma, só queria dizer a todos que estou viva e bem e ocupadíssima e sentindo muita falta de tudo isso aqui. Acho que estou num período intenso de decisões, escolhas, aprendizagem e crescimento. Às vezes não sei se é melhor explorar cada coisinha que me vem à mente, quando elas soam tão insignificantes. Mas quero tentar. À essa altura, já consigo reconhecer o que é essencialmente eu, o que é a pessoa que eu estou me tornando, a que eu fui, e a que eu quero ser. Vou tentar preservar o que é importante daqui para frente, e me expressar livremente é provavelmente a principal. Se não pela minha sanidade, pelo menos pela minha futura carreira. Afinal, não tem sido exatamente este o meu objetivo durante este tempo todo?

(E se isso tudo é só um bando de pensamentos desconexos, dessa vez nem vou me desculpar. Faz parte de resgatar meu eu no processo de construção da minha essência.)

Brenda Nepomuceno