Tags

, , , , , , , , , , , , ,

Oscar Wilde, three-quarter length portrait, fa...

Image via Wikipedia

“O artista é o criador de coisas belas.

Revelar arte e esconder o artista é o objetivo da arte.

O crítico é aquele que consegue traduzir em outra maneira ou outro material a impressão dele a respeito das coisas belas.

A maior, bem como a menor, forma de crítica é um tipo de auto-biografia.

Aqueles que encontram significados feios em coisas belas é corrupto sem ser encantador. Isto é um defeito.

Aqueles que encontram significados belos em coisas belas são os cultivados. Para estes existe esperança.

Eles são os eleitos a quem coisas belas significam apenas Beleza.

Não existe algo como um livro moral ou imoral.

Livros são bem escritos, ou mal escritos. Só.

O desagrado do século dezenove em relação ao Realismo é a fúria de Calibã ao ver sua própria face num copo.

O desagrado do século dezenove em relação ao Romantismo é a fúria de Calibã por não ver sua própria face num copo.

A vida moral do homem forma parte da matéria-prima do artista, mas a moralidade da arte consiste no uso perfeito de um meio imperfeito. Nenhum artista deseja provar nada. Mesmo coisas que são verdadeiras podem ser provadas.

Nenhum artista tem favorecimentos éticos. Um favorecimento ético em um artista é um maneirismo imperdoável de estilo.

Nenhum artista jamais é mórbido. O artista pode expressar tudo.

Pensamento e linguagem são para o artista instrumentos de uma arte.

Vício e virtude são para o artista materiais para uma arte.

Do ponto de vista da forma, o tipo de todos os artistas é a arte do músico. Do ponto de vista do sentimento, o ofício do ator é o tipo.

Toda arte é superfície e símbolo ao mesmo tempo.

Aqueles que vão debaixo da superfície o fazem a seu próprio risco.

Aqueles que lêem o símbolo o fazem a seu próprio risco.

É o espectador, e não a vida, que a arte realmente reflete.

Diversidade de opinião a respeito de uma obra de arte mostra que o mundo

é novo, complexo e vital.

Quando críticos não concordam o artista está de acordo consigo mesmo.

Nós podemos perdoar um homem por criar alguma coisa útil apenas se ele não admirá-la. A única desculpa para criar alguma coisa inútil é se alguém for admirá-la intensamente.

Toda arte é bem inútil.”

OSCAR WILDE
(Prefácio-poema de The Picture Of Dorian Grey“,
“O Retrato de Dorian Grey” em português, traduzido por mim. )

Obsessão é uma das coisas sobre as quais eu mais entendo nessa vida. Tenho uma nova a cada cinco minutos – geralmente sem deixar as mais antigas de lado. “Obcecada” é provavelmente um dos adjetivos que me descrevem melhor, por pior que seja assumir. A minha mais recente é a escrita de Oscar Wilde, exibida em toda sua maestria no único romance que o autor escreveu. A história em si nem é tão fascinante, mas a genialidade das falas e das descrições é tamanha que, indo contra os meus princípios, vou lendo e grifando tudo num amarelo-neon terrível. Esse prefácio é o resumo do livro que resume a minha essência, que se resume à minha obsessão com o “belamente triste”. Está mudando a minha vida, sem exagero (junto com a minha descoberta da existência dos HSPs). Posso elaborar ambos os temas mais para frente, mas por hora só precisava dizer que todo mundo que nunca leu esse livro não sabe o que é um livro brilhantemente escrito e está, portanto, desperdiçando toda a sua existência sem lê-lo. E sim, é o meu mais novo livro preferido… o único que tirou “A Doll’s House”, de Henrik Ibsen, do meu pedestal literário.

Brenda Nepomuceno