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Alex Miller, amizade, asas, Austrália, Brasil, Deus, dor, familiaridade, Lovesong, memórias, partir, perdas, raízes, saudade, tempo
"Ele sabia que as pessoas vão embora e nunca mais voltam." ALEX MILLER, traduzido de seu livro Lovesong
Mas e quanto aos que se foram? As histórias geralmente são centradas naqueles que ficam, e no que eles sentem com a falta daquela pessoa que se distanciou. Mas e para o amigo que está longe, como são as coisas? Quantos param para analisar o quanto uma partida afeta todos os recônditos da alma que parte?
Com o tempo, as memórias daquele que se mudou são confinadas a um álbum de recordações, algumas histórias divertidas (ou trágicas, dependendo da personalidade do recordado em questão) e lágrimas de saudade em alguma ocasião especial, mais emocional. E só. É o perder um amigo, um parente, um amor. A vida continua, e a familiaridade é o melhor consolo para o tesouro roubado.
Àquele que se vai, entretanto, não lhe é concedida a bênção de se apegar ao que é habitual. Pelo contrário, a única coisa que lhe é garantida é a maldição de ter que viver o resto de seus dias com um coração nunca pleno. Enquanto ele conquista para si asas naquele lugar de novas oportunidades inimagináveis, as raízes de sua vida vão sempre atrapalhar a alegria plena. Mesmo quando elas ameaçarem vir à tona, tornando-se cada vez mais superficiais, colocando em risco a tênue ligação com o ontem; os fundamentos da personalidade vão sempre ocupar um espaço na alma – quer na superfície exposta a todos ou na profundeza mais bem guardada. E o único aspecto familiar que lhe sobram são as raízes.
Enquanto aos que ficam resta suportar a dor de uma perda, aos que se vão resta ansiar por sentir apenas uma única dor. Perde-se tudo e quase não há base com a qual reconstruir. É um esforço constante de sobrevivência e reconstrução, tentando agarrar os resquícios de aspectos e relacionamentos da vida anterior… falhando na maioria das vezes. E é por isso que nunca mais a alma é plena; no peito há sempre de ficar um pequeno espaço por onde o vento consegue assobiar.
Uma parte do coração está para sempre no Brasil, e a outra ficará pela eternidade na Austrália, não importa o caminho que Deus traçar para os meus dias.
Brenda Nepomuceno
Brenda, nesse post você se superou, tenho que admitir.
É exatamente assim, os que ficam sofrem bem menos do que os que vão, na verdade nunca tinha pensado nesse aspecto, sobre a ótica de quem vai, talvez por nunca ter saído de onde moro, mas você conseguiu expressar toda a angústia de quem parte, e nos mostrar que sempre haverá “o espaço no peito onde o vento assobia”, apesar de todas as suas conquistas e realizações. Acho que isso apenas nos mostra o quanto as pessoas à nossa volta são realmente importantes, não importa o quão insignificantes elas se julguem.
Texto lindo, e com certeza deve ir para o “Leituras Obrigatórias”.
A sua sinceridade é muito bem vinda, sempre que quiser falar das felicidades e tristezas de ter ido morar tão longe.
Beijos Brenda.
Que bom que você gostou tanto assim! Fiquei com medo de soar muito deprimida – é só que há tempos tento explicar esse sentimento de “homesickness” e de repente a inspiração finalmente veio. Acho que é o que eu sempre quis escrever a respeito. Mostrar o meu lado, sabe? Porque todo mundo acha que tudo são flores. Não são.
E ainda assim, os que ficam, os que partem, continuam lutando pra ser feliz. Com o coração inteiro ou não, temos que seguir em frente. Ficar sem pedaços de nós mesmos acaba sendo culpa do amor – e como já dizia C.S. Lewis, “o único lugar fora do céu onde você pode estar perfeitamente seguro dos perigos do amor é no inferno.”
(Ops, acabei quase escrevendo outro post!) *risos*
Obrigada pelo apoio de sempre! Que Deus te abençoe! :)
É bem verdade Brenda, eu gosto de textos sinceros, e pela forma como você escreve, eu consigo sentir bem o que você queria passar. É muito bom quando um texto não sai forçado, apesar desse aí ser um pouco triste, é incrivelmente leve para ler.
P.S.”antes de vc cometer ‘orkuticídio’, me avise ok ?”
Beijos, e boas festas !
Obrigada!
Quanto ao “Orkuticídio”, embora eu esteja doida de vontade, lembrei que é uma das ferramentas principais de divulgação do blog… Então vou ficando por lá. ;)
Então… por isso vc não gosta de mudanças neh ^^
Entendo perfeitamente o que vc quer dizer… e só pra completar… Podemos analisar a nossa alma como uma joia… cada vez que nos situamos em um lugar… casa nova, cidade nova, namorada (o) novos… com akeles que deixamos para tras, ficam fragmentos dessas joias… o que podemos fazer é lembrar daonde cada fragmento está… e lembrar como e quando o deixamos la, fazendo daquele fragmento de nossa alma seja especial e unico, pq talvez seja essa a maneira mais proxima de se sentir pleno, mesmo após tantas e tantas mudanças….
Concordo! :)
Quanto a eu não gostar de mudanças… a verdade é que não gosto de nada que é novo! *risos* Detesto até quando há alterações no layout do Facebook, por exemplo. Vai ver é que eu tenho uma visão meio simplista, às vezes: se já está bom, pra que mexer? É claro que aí a gente se acomooda e pára de crescer, então mudanças são boas – geralmente. Eu é que não gosto MESMO delas!
Prefiro o familiar e confortável. ;)
Fala sério, se mudanças bruscas já não tão legais, quanto mais quando elas englobam altíssimas quilometragens! Porém eu acredito que tudo tem um propósito. Quem sabe essa distancia não teve um efeito positivo em você, te levando a considerar mais as pessoas e lugares que (talvez) nem eram do seu interesse quando você as tinha por perto? Quem sabe?! O que importa é que o sentimento de você pelas suas raízes é real e perdura mesmo com a massacrante distância :)
Beijooo
Ah, sim, não tenho dúvidas de que Deus tem um propósito pra tudo. Talvez até para me ensinar exatamente isso: que meu coração não precisa estar inteiramente numa coisa só, num lugar só. Sou muito intensa e achava meu coração muito limitado para se dedicar com fidelidade ao que eu gostava. Agora ele está se expandindo!
Beijinhos.
Brenda, menina Brenda… que lindo seu texto!
E que melancolia que me deu só de ler. Que saudade de pessas que passaram, que marcaram, que se foram e não sei se voltam…
Realmente é um vazio enorme. Mas é um espaço que estará sempre ali. Que ninguém consegue preencher…
Amei… arrasando na escrita, como sempre!
Obrigada! :)
É exatamente isso. Como disse Shakespeare, “todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente”.
Beijinhos, flor!
Sempre pensei pelo lado do que teve de ir embora, obviamente, e me perguntava se alguém pensava no meu lado. Afinal, podem ter ‘perdido’ uma amiga para a distância, mas eu perdi vários, todos de uma vez, e muitos sem ter tido a oportunidade de dizer ‘adeus’ e dar um abraço. Sem contar que não tinha muitos meios de manter contato, a não ser as tão amadas [e esperadas] cartas.
A internet ajudou sim, e muito, mas não supri as necessidades e desejos do coração. E depois de 8 anos longe dos meus amigos do RJ, o que eu mais sonho é quando poderei reve-los pessoalmente e finalmente abraça-los.
Engraçado é que eu escrevi um post sobre o assunto, de maneira bem pessoal, visto que essa semana completará os tais 8 anos. Eu já tinha lido o título do seu post, mas não sabia que se tratava desse tema. hehehhe
beijos*
Até logo!
Exato! Levei mais de dois anos para finalmente entender esse sentimento e colocar em palavras. Eles só me perderam, enquanto eu perdi todos eles. Sei que você entende como é.
Beijinhos, flor.
profundo, haha…
com certeza é mais difícil partir do que deixar ir.
Que texto ein ;D
beeijo, saudades maninha
Amei o jeito como você colocou, “mais difícil partir do que deixar ir”!
Beijos & saudades, maninho!
Nossa… Eu nunca tinha pensando sob esse ponto de vista! Vários amigos meus se mudaram, e hoje em dia não tenho mais muito contato com eles. A amizade aumentou com outras pessoas do mesmo local onde moro… Mas, e quanto aos que estão longe?
Eles fazem novos amigos, mas sempre fica esse espaço no peito!
Você me fez refletir mesmo sobre isso.
Texto perfeito, concordo que ele deve ir para as Leituras Obrigatórias.
Deve ter se sentido mal mudando-se para o outro lado do mundo! É uma aventura e uma grande transformação em sua vida (uma evolução enorme, eu creio), mas sentiu esse vazio… Espero que ele diminua! (Sumir, sabemos que não vai…)
Desculpe se fui meio depressivo! (Não era bem essa a intenção). Beijos…
Milton G. Machado.
Nem a minha. Detesto quando os textos ficam depressivos – embora já tenha percebido que alguns dos meus melhores foram escritos em momentos tristes!
Adorei vocês pedirem pra esse ir pras “Leituras Obrigatórias”. Foi a primeira vez que um foi por pedidos; nas outras foram porque são os meus preferidos. Mas agora esse também está lá, graças a vocês! :)
Seu texto me fez chorar. Sou sua maior fã, best. Juro
Te amo
Você vai ter que brigar com a minha mãe e com o Gabriel pelo posto de maior fã, best. Desculpe! ;p
Eu te amo. E vê se pára de chorar, minha boba mais linda!
Beijinhos.
Brenda, nesse post você se superou, tenho que admitir.[2]
Estou vivendo a situação, de ainda ter o habitual como consolo quando alguém que se foi só tem o novo, o desconhecido.
É tenso.
Será que posso usar uns trechos no meu blog? (Claro, que vou por o linl do seu lá…)
Beijos flor, e sucesso, sempre.
;~)
link*
Pode sim, flor! Se colocar só o nome já nem precisa pedir. (Mas com o link eu agradeço ainda mais, rs.) ;)
Beijinhos.
Claro, com link, sempre. Bjos.
Brenda…maravilhoso esse texto!!!!
Vc sabe expressar o que realmente o que sentimos, mas não sabemos coloca-lo no papel.
vc é fantástica!!!!Beijos Te amo muito!!!!
E sinto muito orgulho de vc ser tudo isso que é….
Eu também te amo muito, Titcha! E tenho orgulho de vocês se orgulharem de mim – se é que essa frase faz sentido.
Beijinhos e saudade sempre!
Gostei muito do post… fala ao coração mesmo. Bjs e fik com Deus.
Fico feliz por você ter gostado!
Beijinhos, flor.
“A vida é um ciclo permeado por inspiração, repercussão e saudade”.
Esta foi a frase que criei para marcar os agradecimentos do meu TCC – vislumbrando o final e a separação desse contexto que tanto marcou os últimos 4 anos.
Mas acredito que essa frase aplica-se ao tudo e todos que passam pela nossa vida.
Tempos atrás estava voltando de ônibus com um amigo meu até o terminal. Discorríamos preocupados sobre o nosso futuro, sobre todas as indefinições que maculavam e ressequiam nossos dias.
Aí falei pra ele, meio que em tom positivista: “Relaxa brother, não se preocupe tanto assim com o futuro, não tenha tanto medo. Oh, quando você se sentir assim, lembre das coisas que já viveu, recrie todas as situações que ocorreram entre você e as pessoas que ama.
Por mais desgraçada que possa ser nossa vida no futuro, a gente sempre terá esses bons momentos pra lembrar. Então faça isso brother! Tenha lembranças, crie imúmeros cenários de saudade. Porque saudade é uma coisa boa.”
Torço pra que você tenha muita saudade e que esta jamais se transfigure em solidão.
Enfim, pra não deixar dúvidas: torço para que você seja muito feliz!
seus dois ultimos textos – esse e “o dos olhos castanhos” eswtão com um certo grau de profundidade daqueles que gosto, do tipo vou embora sem medo de me afogar!!! Gostei muito querida Bre!
beijos
Oi Brenda, sou amiga “virtual” da sua mae, descobri seu blog pelo post que ela deixou no facebook com a sua entrevista e por la ouvi seu endereco. Morei em Londres por 3 anos, e quando li seu texto veio toda a sensacao que muitas vezes carreguei comigo la em Londres… sem saber expressar ao certo aquela sensacao de que parece que estamos meio que desaparecendo aos poucos porque estamos perdendo nossas “referencias”. Referencias essas que acreditavamos que tanto fazia parte de nos como nos delas… uma coisa meio simbiotica. E ai somos arrancados dali como qdo cortam o cordao umbelical… e “caimos no mundo” e temos que nos construir e recriar novamente. Desculpe a minha viagem de ideias, mas acho que vc me entende. Seu texto esta incrivel, deu profundidade as emocoes, e traduziu essa angustia, esse “espaco onde o vento assobia” como ninguem. Nao achei depressivo como li seus posts anteriores, ele esta profundo nas emocoes que as vezes nos atormentam, mas sem fazer nos sentir triste. Esta leve…como uma pena que voaria nesse vento que assobia em nosso peito. Adorei e irei visitar seu blog sempre, parabens ! Bjos