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A Garota Sem ReflexoEsta história não começa com “era uma vez” porque não é um conto de fadas, mas um fato real que fala a respeito de todos nós. A personagem aqui retratada não é alguém em si, mas todos os “alguéns” deste mundo, não importam a cor, idade, sexo ou religião.

Helen era uma garota normal, com gostos normais, uma vida normal, deveres normais, atividades normais… Todavia, algo nela não era tão normal assim. Ela tinha um pequeno problema: não conseguia se ver no espelho. Não tinha reflexo. Não aparecia nas fotos. E, ao contrário do que você deve estar imaginando, ela definitivamente não era uma garota invisível. Como já dissemos anteriormente, Helen era comumente normal, exceto por esse pormenor.

As pessoas com quem ela convivia a enxergavam muito bem, mas a garota não conseguia enxergar a si mesma. Desde pequena odiava comemorações e datas especiais devido à quantidade de fotos que eram tiradas. Quando as revelavam, Helen ouvia seus amigos e familiares fazendo comentários como “Olhe, querida, como você ficou bem nesta foto!”, e não conseguia suportar a frustração e a insegurança que brotava em seu interior. Devido a esta característica especial, Helen não era muito aberta a relacionamentos. Os poucos amigos que tinha eram de extrema confiança, confiança esta adquirida ao longo de muito tempo.

Quando completou dezesseis anos, não conseguia mais suportar o segredo de ser tão diferente. Ela precisava contar a alguém. A ansiedade fazia com que a garota só pensasse nisso. O único porém é que não havia ninguém a quem confiar aquela preciosa informação.

As coisas começaram a mudar quando ela conheceu Jônatas. O rapaz novo da escola, apenas uma série à frente de Helen, era lindo, inteligente, gentil, interessante e, o melhor de tudo, começou a puxar conversa com a garota na saída da escola. Com o tempo uma amizade verdadeira se desenvolveu entre eles. Algo mudou, todavia, quando Helen passou a sentir um frio na barriga a cada vez que o via ou pensava nele. O mais surpreendente de tudo foi que um vulto começou a aparecer cada vez que ela se olhava no espelho… Ao notar isso, decidiu confiar no rapaz e lhe contar seu segredo.

Foi com espanto, mas também com muita compreensão, que ele ouviu a história da garota por quem ele estava se apaixonando. O sentimento dentro de seu coração o fez tomar a iniciativa de auxiliá-la. Foi com Helen até um espelho e lhe perguntou o que ela via. Como sempre, a garota só distinguiu um vulto. Jônatas percebeu a frustração no olhar dela e, de repente, teve a convicção de que os caminhos deles haviam se cruzado para que ele pudesse mudar a vida dela.

“Aprenda a se ver através dos meus olhos”, disse o garoto. “A mulher que enxergo é linda, graciosa, meiga e agradável. Tem olhos verdadeiros que brilham como as estrelas, numa tonalidade verde como nunca vi igual. Seus cabelos loiros, longos e encaracolados lhe conferem um ar angelical, mas ao mesmo tempo majestoso. Sua boca é tão delicada e vermelha quanto os rubis… Será que algum dia você enxergará a perfeição que enxergo em você?”

À medida que ele ia falando, o vulto no espelho foi tomando forma e definição, até ao ponto em que, pela primeira vez em sua vida, Helen se viu. Mas mais do que isso, ela se enxergou. Aquele foi o momento em que ela se conheceu de verdade e, a partir dali, sua vida não foi mais a mesma…

Todo mundo tem algo diferente, que o torna especial e único. Muitos têm medo de se abrir e deixar os outros lhes desvendarem, por não conhecerem a si mesmos. A maioria das pessoas pensa saber quem é, mas têm uma imagem deturpada de si mesmas. Se o que elas dizem conhecer não é alguém maravilhoso, então elas não sabem quem realmente são. O amor – de um amigo, pai, mãe, irmão, namorado ou até mesmo de um estranho – nos faz enxergar além e entender um outro lado. Através do amor, passamos a ver o mundo com os olhos de outrem.

Brenda Nepomuceno