Minha amiga me deixa uma mensagem na secretária eletrônica: “Brenda, se você puder me ligar depois, algo muito estranho aconteceu.” Eu, sendo uma péssima amiga, acabo não ligando de volta. Bem feito pra eu aprender. No outro dia, ela me conta que estava voltando pra casa depois da escola, quando no meio do caminho ela e a amiga encontram uma mulher jogada na rua, sangrando. Em pânico, as duas foram pra casa, falaram com a mãe da minha amiga, que entrou em contato com a polícia e tudo o mais. No final das contas, a mulher morreu, por ter a garganta cortada por um cara. Parece que elas só a encontraram na rua porque ela tinha tentado sair da casa, na esperança de escapar do agressor. Não conseguiu.
Obviamente, minha amiga ficou super abalada. E eu, só de ouvir ela contar a história toda pelo telefone, comecei a tremer e me sentir muito, muito mal. Não por medo, nem nada, mas mais por pensar em como todo esse sofrimento é injusto.
Durante a semana, na aula de Inglês, a minha professora tinha colocado o documentário War Photographer (Fotógrafo da Guerra) pra gente assistir. Ele conta a trajetória de James Nachtwey, um homem que passou a vida inteira em zonas de conflito e guerras, fotografando tudo, na esperança de que suas fotos fossem mostradas ao mundo e levassem as pessoas a impedir que tais coisas acontecessem novamente. “Fui testemunha e essas fotos são o meu depoimento. Os acontecimentos que eu registrei não devem ser esquecidos nem repetidos”, é a frase que ele diz na página de abertura de seu site oficial. Ao assistir o documentário, vendo o quanto a raça humana se auto-destrói, fui muito tocada, chorei bastante, e levei mais de uma hora depois do final do vídeo pra conseguir me concentrar em qualquer outra coisa menos triste… Mas não deveria. A gente aprende a se conformar com atrocidades, a seguir com a vida, na tênue esperança de não se deixar afetar profundamente pelo sofrimento alheio, de modo a conseguir ao menos (sobre)viver a nossa própria vida. Mas não deveria.
A maior arma do ser humano pra aniquilar seus semelhantes não deveria ser a fome. Crianças não deveriam chorar com a dor de sentir o estômago vazio. Pais não deveriam saber o que é a dor de perder um filho por causa da guerra. Famílias não deveriam ser separadas para sempre por causa de conflitos no lugar que um dia eles chamaram de lar. Ninguém deveria ter que ver sua casa e tudo o que lhe pertencia em ruínas. Funerais não deveriam ser carregados de tristeza porque um ente querido foi levado cedo demais. Filhos não deveriam ficar orfãos na infância. Nenhuma guerra “em nome de Deus” jamais deveria ser declarada. Governos não deveriam atentar contra a vida dos cidadãos de países distantes. Armas não deveriam ser usadas contra seres humanos.
As pessoas deveriam ser mais sensíveis ao sofrimento alheio. Deveríamos ajudar no que podemos, mesmo que seja apenas atendendo o telefonema da amiga que precisa conversar, já que não estamos presentes em áreas de guerra. Deveríamos usar a nossa fé em Deus para curar e ouvir as pessoas, assim como Ele faria, ao invés de cometer atrocidades em Seu nome. Deveríamos passar o nosso tempo mais preocupados com os problemas dos outros do que com os nossos. Crianças deveriam ser livres para brincar, ao invés de ter sua infância roubada pela fome e guerra. Famílias deveriam ser a base, onde cada ser humano aprenderia o que realmente significa amar. Ninguém deveria permitir que o ódio anuviasse sua razão a ponto de ferir outra pessoa. A vida deveria ter mais motivos de alegria do que de tristeza. O mundo deveria ser um lugar bonito e não cheio de sofrimento. A morte deveria ser tranqüila, só vindo após uma vida longa e bem vivida, enquanto se está dormindo…
Afeganistão, 1996 – Luto pelo irmão morto por uma bomba Talibã.
Chechênia, 1996 – Ruínas de Grozny central.
Sudão, 1993 – Vítima da fome num centro de alimentação.
Kosovo, 1999 – Ruínas de Djacovica, destruída pelos Sérvios.
Indonésia, 1998 – Pedinte dá banho em seus filhos num canal poluído.
Bósnia, 1993 – Luto por um soldado morto pelos Sérvios, enterrado no que foi um campo de futebol.
Afeganistão, 1996 – Ruínas de Cabul na Guerra Civil.
Nova York, 2001 – Procurando sobreviventes após os atentados de 11 de Setembro.
Fotos de James Nachtwey.
P.S. E só porque o assunto é morte, vale dizer que, mesmo eu não sendo fã dele, um mundo sem Michael Jackson não parece real.
Brenda Nepomuceno








gostei do comentário do michael !!
ksopakospkoakopskoa…
ele se foi pra neverland ;D
muito legais as fotos mostram beeem a realidade !!!
;**
saudades
Só você pra me fazer rir depois de um post desses! ;)
Nossa! Muito tocante, sensível, verdadeiro… Quando vejo você escrevendo desse jeito, fico sonhando em te ver realizando um sonho que foi meu por muito tempo, de fazer Jornalismo e ser uma influenciadora em larga escala! Talento você tem de sobra, com certeza!!!
O que mais me faz adorar seu blog é que aqui encontramos um pouquinho de tudo… Isso só prova o quanto é inteligente, tem senso de humor, senso de mundo, senso comum e sabe falar um pouco de tudo! AMO mulheres inteligentes… Acho que estou conseguindo formar uma! Que orgulho, filha! Sou sua maior fã… sempre!
Ai que liiindo! Tantos elogios, vindos de você, me fazem sentir a escritora, hahaha!
Só estou tentando seguir nos passos da mulher inteligente (e linda!) que me gerou…
Te amo, mãe!
Bom Brenda…. vc consegue fazer isso comigo…. me causar um choque… um choque de realidade… não dá pra expressar como estou me sentindo agora…. mas deixo aqui uma contribuição….
“Para vermos o verdadeiro caráter de um homem, basta lhe dar poder…”
Era a intenção. Chocar, quero dizer. Que bom que deu certo!
E o seu post sobre o assunto foi muito bom também; adorei!
Concordo d o Thiago!
Acho q temos um transmimento aqui…
hauhauhuauahua
As pessoas nao aprenderam a cuidar do q tem, isso eh mt triste, principalmente qnd quem sofre sao crianças q nao tem culpa d nada…
A vida nao é msm mt justa, infelizmente…
É, se tem uma coisa que a vida não é, é justa. :(
Transmimento sempre!
Não consigo encontrar palavras…
Eu penso muito sobre como as pessoas tendem a ver cenas atroz e achar que é normal, que poderia ser pior. O ser humano não analisa que isso não é normal, que o pior já está acontecendo, que só pelo fato desse tipo de coisa acontecer já É o pior.
Mas o assassinato, a fome, as guerras, a violência contra a mulher, contra os idosos, contra as crianças, contra o homem, [...] não deveriam existir, e pior ainda, serem vistos como normal, comum, “nada demais”. Em que mundo vivemos? O que fizemos com ele? Por quê nossos problemas banais “banalisam” todos esses problemas reais, ou mesmo qualquer outro dos problemas alheios? “A gente aprende a se conformar com atrocidades, a seguir com a vida, na tênue esperança de não se deixar afetar profundamente pelo sofrimento alheio”…
“…o pior já está acontecendo, que só pelo fato desse tipo de coisa acontecer já É o pior.” Com certeza, amiga! É triste, mas é a realidade. :(
: S voce ja disse tudo…
Eu tentei, amiga!
Menina, descobri seu site por acaso, procurando um texto biblico… fiquei “chocada” no bom sentido, é claro, de como vc aos 16 escreve bem!!!! Eu sou redatora publicitária e tb filha de Papai do Céu! Ja te add em meus favoritos! Fique na paz! :)
Oi Ju!
Seja bem-vinda ao meu blog!
Fiquei muito feliz com o seu comentário, você não faz idéia! Ganhei o dia, hahaha!
Muito obrigada! É ótimo ter você por aqui! Volte sempre!
Beijinhos.